Há uma competência que raramente aparece nas pautas ou nos registos de avaliação, mas que diz muito sobre a educação de uma criança ou de um jovem: saber discordar sem deixar de respeitar.
Discordar de um colega no recreio, de um professor durante uma aula ou de uma regra que parece injusta faz parte do crescimento. O importante é aprender a dizer aquilo que pensamos sem diminuir quem pensa de outra maneira.
Esta capacidade aprende-se aos poucos. Na creche e no pré-escolar, discordar pode ser simplesmente dizer «não», por vezes, com toda a força de que uma criança é capaz. Cabe-nos ajudá-la a encontrar palavras para aquilo que sente e a perceber que os outros também têm vontades e necessidades. No 1.º ciclo, aprende-se a esperar pela vez de falar, a ouvir até ao fim e a aceitar que nem sempre temos razão. Mais tarde, é preciso saber explicar uma opinião, apresentar argumentos e compreender outros pontos de vista. No secundário, esperamos já algo mais exigente: defender aquilo em que se acredita e ter a humildade de mudar de ideias quando surgem razões melhores.
Em todas estas etapas, os alunos precisam de adultos que os acompanhem, sem resolverem todos os conflitos por eles, mas também sem os deixarem sozinhos perante dificuldades que ainda não sabem gerir.
Todas as semanas visito salas de aula e recreios e apercebo-me de que alguns dos momentos mais interessantes de aprendizagem começam quando alguém diz: «Eu vejo isso de outra maneira.» É uma frase simples, mas que nos obriga a parar, a escutar e, por vezes, a pensar de novo.
Um professor que acolhe uma opinião diferente sem a interpretar como um desafio à sua autoridade está também a ensinar. Mostra aos alunos que podem questionar com respeito e que as ideias devem ser discutidas pelos argumentos que as sustentam. Isso não significa aceitar todas as opiniões como certas. Um bom professor sabe ouvir, pedir razões, corrigir e explicar. E, quando se engana, não perde autoridade por o reconhecer. Muitas vezes, ganha-a.
Os alunos aprendem assim uma lição importante: podemos defender as nossas ideias com convicção e, ao mesmo tempo, estar disponíveis para ouvir e aprender com os outros. Afinal, procurar a verdade deve ser sempre mais importante do que querer ter razão.
Em casa, esta aprendizagem é igualmente importante. Uma conversa à mesa em que pais e filhos pensam de maneira diferente pode ser uma excelente oportunidade educativa. Nem todas as divergências precisam de terminar num acordo. Às vezes, basta que todos tenham conseguido falar e ouvir com respeito.
Mas há algo ainda mais importante do que aquilo que dizemos aos nossos filhos: o exemplo que lhes damos. Eles observam como reagimos quando alguém nos contraria, como falamos de quem pensa de forma diferente e se somos capazes de reconhecer um erro ou pedir desculpa quando exageramos. É difícil ensinar serenidade quando respondemos com irritação, ou pedir respeito quando não o demonstramos.
Numa sociedade em que tantas discussões rapidamente se transformam em confrontos, escola e família têm uma responsabilidade comum: ensinar que discordar não é faltar ao respeito e que ouvir o outro não significa abdicar das nossas convicções.
Porque educar também é isto: ajudar os nossos alunos a pensar pela sua própria cabeça, a defender aquilo em que acreditam e a respeitar quem pensa de maneira diferente.
Contem connosco.
Fernando Fidalgo · Diretor Pedagógico Nacional
Se perguntarmos a um aluno, a um professor ou a um pai quando é que o ano letivo custa mais, a resposta mais honesta é: agora. Não é em setembro, que traz novidade, nem em junho, que traz o fim à vista. É esta fase longa do primeiro período, em que o arranque já passou e o Natal ainda vem longe.
Será que a solução é pedir mais entusiasmo? Não creio. A energia de uma criança não é a mesma todos os dias, nem todos os meses. Há semanas em que rende muito e outras em que parece que nada avança. Um aluno que abranda em outubro não está necessariamente a desistir. Pode estar apenas cansado e precisar que um adulto repare nisso antes de lhe pedir mais.
Ajudam as coisas simples, que raramente parecem importantes. Dormir as horas que a idade exige. Deixar o telemóvel fora do quarto à noite, para que o sono não seja interrompido. Deixar que o aluno organize sozinho a sua semana, mesmo que se engane, porque quem escolhe o caminho cansa-se menos do que quem o recebe feito. E guardar todos os dias algum tempo livre para brincar, sem horário e sem tarefas, aos 4 ou aos 16 anos.
Do nosso lado, prometemos o que pedimos: paciência. E, se o vosso filho chegar a casa a arrastar a mochila, comecem por um lanche e por ouvi-lo, antes de perguntarem pelos trabalhos. Contem connosco, vamos falando.
Porque educar é um caminho partilhado, esta newsletter traz-lhe as notícias, as conquistas e o que vem a seguir, semana após semana.
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